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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Lápis e Caderninho


Era uma vez um lápis que sentia-se mt solitário. Ele ficava em pé, bem quietinho, dentro de uma latinha. Ali era a sua casa. Passavam dias, semanas, meses e ele ali sem que ninguém pegasse nele. Às vezes ele pensava fazendo beicinho:
- Acho que não sirvo para nada. Ninguém me quer...
Na casa onde o lápis morava só havia gente grande e muito atarefada. Ele olhava o movimento das pessoas esperando que alguma delas se lembrasse dele. Um dia, depois de acordar, ele viu um objecto estranho bem ao lado da sua latinha. Ficou curioso. Quem seria? Não resistindo mais ah curiosidade que fazia coçar a sua ponta lol, perguntou:
- Quem és, meu amigo?
- Eu? Eu sou um caderno!! respondeu.
- Meu amigo, tu ficaráx como eu, ignorado e abandonado em cima dessa mesa. Acho bom tu ires saindo de fininho. Ninguém aqui quer saber de objectos como nós xD
E os dias foram passando. Todas as manhãs a dona da casa pegava a latinha do lápis e o caderno, colocava-os em cima de uma cadeira, limpava a mesa com um pano e depois colocava os dois no mesmo lugar. Pobre lápis. Continuava não servindo para nada como ele pensava. O caderno fingia não ouvir as queixas do companheiro de mesa. Ficava caladinho exibindo a sua capa colorida...
Um belo dia o lápis percebeu uma agitação diferente em casa. Chamou o caderno:
- Amigo, que estará acontecendo?
- N sei. Penso que seja alguma novidade... respondeu o caderno.
Enquanto os dois conversavam, a dona da casa encostou-se ah mesa, puxou a cadeira, sentou-se e abriu o caderno. Esticou o braço e tirou o lápis da latinha. Ele estremeceu. Vivaa! Exclamou ele. Alguém lembrou-se de mim! A senhora continuava com o lápis na mão, parada como se estivesse pensando. O caderno, impaciente, perguntava ao lápis:
- E agora? Ela vai ou não vai usar-t?
- Não sei... respondeu o lápis enquanto a senhora coçava a cabeça com a ponta do coitadinho.
Passaram-se alguns minutos. Nada. Mais um tempinho e, de repente, a senhora começou a escrever.
“Meu querido filho.
Estou escrevendo este bilhete para lhe fazer um pedido. Venha, estár com a sua família, passar o natal connosco. Eu e o seu pai sentimos muitax saudadex de ti e dos meus netinhos. Venha para encher de luz e alegria a nossa casa.
Um beijo para todos.
Mãe.”
Quando a senhora escreveu a palavra mãe, fez com tanta força que a ponta do lápis partiu-se. O caderno, observador como sempre, perguntou:
- Doeu muito, amigo?
- Não doeu nada... respondeu fazendo uma careta.
- Agora deixou de pensar que não servimos para alguma coisa? ..insistiu o caderno.
- Tá certo! Tá certo! Acho que me enganei.
A senhora chamou o marido e pedindo para ele faxer a ponta ao lápis, lembrou-lhe:
- Faça uma ponta fininha porque a nossa neta vai desenhar neste caderno que eu lhe comprei...somente para ela.
- Ih, amigo lápis! Fazer a ponta? Essa vai doer muito... mas vale, né? Eu também fico dolorido quando arrancam as minhas folhas.
Pois é, senhor lápis, o senhor é pra lá de útil, bota importante nisso xD Não se sinta solitário na sua latinha. Só aguarde o momento de ser utilizado. E lembre-se de uma coisa: o caderno não existiria se não existisses. Os dois são úteis.
1 + 1 = Utilidade dupla (A)

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