A família ficou horrorizada! Inês matou-se no dia do casamento! No dia, não, na hora, minutos antes de ir para a igreja! A mãe, em estado de choque, quase desmaiou. As irmãs andando de um lado para outro, gritavam agoniadas. O pai, inconformado, lia e relia o papel encontrado, que agora suava nas suas mãos. Aquelas palavras, súplicas e queixas da filha queimavam-lhe a alma e o coração.
O resto da família, amigos, toda a gente daquela cidade nem desconfiava. Pensavam que a Inês teria o seu dia de glória. Imaginem, um casamento daqueles! Moço rico, trabalhador e além do mais, bonito! Teria tudo, do bom e do melhor.
No meio da confusão, a mais velha das irmãs voltou à realidade e foi chamar o tio médico. Assim que chegou, constatou e atestou o óbito. Pediu para ver a carta. Leu. Lançou um olhar consternado aos familiares. Por fim, falou:
-É melhor queimar este papel. Ninguém precisa saber dos detalhes. Ela tomou veneno, matou-se. Pronto! Cada um que interprete como quiser.
Acendeu um fósforo e a chama rapidamente destruiu as súplicas daquela moça infeliz. Virou tudo cinza.

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